ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

terça-feira, 18 de abril de 2017

EMBRACE



Abraça o meu abraço até a pele se extinguir da pele
Como que uma viva coisa se apresente como fosse alma, mas fosse antes
Ou fosse a chave ou fosse nada
Me abrace antes
E desse abraço abrace mesmo somente o abraço
E nesse hiato e nesse instante os nossos braços os nossos corpos
Se descubram tolos se descubram sós se descubram tantos
E se tornem dois e se tornem mais e sejamos apenas mais abraços então
Abraça o meu abraço até a pele retrucar na pele aquela dose de carinho estreita
Que não pode calar nenhum desejo e nem pode falar com impropriedades
Onde não pode caber uma vogal que não é tua onde não consinto nenhuma consoante do que não é meu
E o nosso é tão imenso que no abraço diminui e no teu peito já é tão próximo ao meu peito que somos juntos
Somos somente um mesmo abraço
Abraça-me abraço-te abracemo-nos
Para que no fingido sentimento da poeta, a luz desse incrédulo sentimento que é o viver
Seja tão puro e meigo
Que partir desse abraço seja tudo que juntos já não poderemos mais partir, senão que inteiros.

Nívea Moraes Marques