ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 27 de novembro de 2016

UMA LÁGRIMA PARA FIDEL

Fidel morreu sexta-feira e hoje sábado eu fiquei sabendo de sua morte. Não pude chorar como se deve a sua morte, amigo, constrangida na presença de amigas que certamente não te amam como eu te amava.

Fidel representava para mim um sonho adolescente de revolução e elas em volta de mim eram a própria adolescência de regresso, me impedindo de me lembrar do que tinha de mais caro em mim na minha adolescência: a luta por um mundo mais digno não só para mim ou para os meus, mas para todos e todas.

Como eu sonhei com o dia em que levada pelas mãos do Thiago estaríamos, Fidel e eu, amigos, poetas, revolucionários, frente a frente, com lágrimas nos olhos, acreditando que mais essa luta vencemos a de encontrar tamanha humanidade em seres humanamente tão delicados quanto nós somos.

Fidel eu precisava dizer que te amo tanto!

Que carrego no meu sobrenome virtual a semente de nossas origens revolucionárias, justas ou não, queridas ou não, mas originárias, marx.com.br.

Nunca pude ouvir todo um monólogo teu, mas apenas o teu uniforme a tua barba o teu olhar infinito e o teu feito de libertar cuba de Fulgêncio e entregá-la a teu povo com o sabor do pão que é a dignidade conquistada por não ter o menor de teus irmãos dormindo ao relento de barriga vazia e dente podre.

Fidel, meu comandante, algum dia teremos a graça de dizermos os nossos nomes como irmãos e olharmo-nos no profundo dos nossos olhos e nos permitimos uma lágrima?

O meu sonho se derrete eu quase odeio a palavra poeta, eu quase arrebento a palavra sonho, mas eu ainda respeito muito a palavra dignidade. E que por causa dela certamente Deus já perdoou teus possíveis inúmeros pecados, porque és homem e homem voltarás a ser na casa daquEle que tem muitas moradas e uma te espera porque bem aventurado aquele que conferiu dignidade pois alcançará também um lugar digno.

Nenhum comentário: