ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

UMA DELICADA FORMA DE CALOR



9-Uma delicada forma de calor
Nívea Moraes Marques

Parece que quando ela vem, uma jovem de 16 anos, ela fuma todos os meus dias num único cigarro de bali. E deixa aquele cheiro adocicado bom e um rastro de cinzas. Apenas um cigarro que fumei com gosto, que arruína um tanto da minha vida.

Recolho uns blues, recolho piedosa rescaldo de sonhos, mas subitamente recolho-me a mim, pois seria insuportavelmente ruim saber que alguém me amou tanto a ponto de me deixar ir embora ilesa, sem suas marcas, sem as marcas de tuas mãos de teu sexo bom ou ruim...

Por mais que calcules tudo, por mais que tenhas o dobro mais dez, por mais que tenhas visto teu amigo morrer e não tenhas ido junto a procurar salvá-lo sem saber... por mais que não sejas um garoto impulsivo como eu...

É difícil pra mim admitir que não sou eu que vivo dentro de ti, que não és tu que vive dentro de mim... quem seria então? Abrir um espaço vão pra Deus, senão de Deus é tudo, é TUDO TEU, DEUS!?

Mas fica uma delicada forma de calor, nada que meu futuro amor não possa suportar, teus pés, tuas mãos ou de Maria do Céu tão impressos em mim que me assusta ás vezes vê-los, a nossa família é também a do coração e mais que uma ascendência literária, tua ascendência em mim é a do coração. Sem explicação, és o que és, e ninguém precisa aceitar e eu também não preciso ficar dizendo isso a toda as horas, é natural em mim, é uma delicada forma de calor.

Quando dizem e eu sei que adoeço é feito ópera, Bocelli ou Germana e Maria Clara fazendo maquiagem em mim para estrelar em palcos inimagináveis, como eu faço sucesso pela terceira dimensão do mundo. Essa doença é mesmo muito rara e em tudo dou graças. Graças a Deus!

Delicada forma de calor. Breve forma de Calor. Essa forma de calor. Quem poderá conviver com tal forma de calor? Como equacionar essa forma de calor?

Nossas vidas se tocando somente mesmo num mundo ideal, nunca no mundo real, o mundo não é mais para nós. O mundo é de terceiros (porque você fez assim). Eu já me apaixonei por outros rapazes mais dignos de mim, mais dignos de histórias mais frutíferas, capazes de gerar frutos, folhas, árvores de romãs e seus reis magos. Capazes de me levar a viver com coragem e amor, cotidiana coragem e amor o sonho das bodas de Caná, das bodas de prata ouro e diamante, eu sei... disso eu vou viver! E hei sim! Eu vou viver! com você não, com você não, com você é esse breve hálito, essa quimera, como se fosse um invento de febre terçã, que de tempos em tempos me assombra feito um grande amor: essa delicada forma de calor.

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