ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 3 de julho de 2016

PARA AS MULHERES QUE FORAM VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA



Para as mulheres que foram vítimas de violência doméstica
Nívea Moraes Marques

O pânico de uma folha em branco.
Mas nada está em branco, as marcas já estão por todos os lados.
E se a folha está em branco é porque ainda não a enfeitamos com margens desenhadas, adesivos, flores e decalques, e então depois vem as palavras.
Só alguém muito burro pra achar que do nada nada se faz.
O nada fundante sempre existiu.
E essa pergunta incessante e antes e antes e antes.
Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?
A minha vontade de dizer que foi meu querido professor Joaquim Falcão quem me ensinou a verdade jurídica delirante (a pior dependência é a dependência econômica) para esclarecer a verdade fundante:
Foi a galinha quando da criação.
Porque ela foi a criatura que pôde criar o ovo.
E quem foi a criatura que pôde criar a galinha: foi Deus.
Então somente uma pausa de esclarecimento: Deus nos permitiu a galinha, somos seus co-criadores através da palavra. Isso é pra falar baixo como música de câmara senão os vizinhos acordam com o barulho da violência impura.
Como uma sinfonia de bethoven ou de Bach ou de Villa Lobos é tão bom poder escrever essas coisas, a menina que tinha mania de explicação: às vezes, contudo, é para quê e não por quê.
Por que Deus me concedeu isso?
Porque Ele já sabia que eu poderia carregar em minhas mãos em concha, a hóstia que ele mesmo inventou para nossa restauração.
Só que Deus a inventou para a utilidade e a desonra desse medo, fogo amigo, vem de eras anteriores da ancestralidade do mal originador, dentro do homem o lobo do lobo do lobo do próprio homem, quando Adão de Eva provou a maçã que colhida da árvore proibida foi o sinal do pecado no mundo.
As marcas que deveriam estar por todos os lados eram batons cor de rosa, filtro solar, terras de se construírem lares e então me perguntas quem te deu essa herança essa desgraça: foi o mesmo coração que agora me implora: saia daí, Vida. Saia daí viva.
Pois se acrescentamos leis contra nossa própria escravidão é porque sabemos que o homem mata o homem pelo coração, que tem razões que a própria razão desconfia, mas não se fia, fuja como da ambição, fuja como do medo, fuja em direção ao céu interior que Maria te confiou, fuja para o bem da saúde, fuja a par da integridade de toda a criação que te magnificou: magnificat,
Mulher que nunca esperou esse desfecho, mas de certa forma o consentiu por amor: não consinta mais nada, não aceite mais nenhum argumento, se somos fracas façamos por onde fugir, fugir, pois a fuga é a razão mais forte de te conservares o útero, o ovário, os pulmões, a capacidade de gritares socorro!.
Chora, grita, resmunga, corta o cabelo, engorda, emagrece, fuja, fuja, pois à distância ainda restarás como um fiapo velho a matéria certa para que de Deus venha o abraço pacificador, santificador e se possível for um carinho que é tua transcendente voz do amor, nunca desistir de si, de sua prole e de seu sonho. Sonhos são os impossíveis tornados voz do amor.
Fuja ainda que haja gozo entre vocês, pois é proibido a nós certa permissão: permissiva. A vida não sabe fazer concessões.
Fuja que da franqueza se fará uma vida, a tua vida, nova, novamente com outra espécie de gente.
Você será essa outra espécie e quem sabe deixará Deus uma semente: o filho novo que um companheiro mais santo e delicado possa trançar em teus cabelos: a pureza que vem da felicidade...
À força bruta confiemos a misericórdia de Deus, pois somente Ele consegue tirar um mal de um bem e nos revelar em forma de poesia todo o milagre de uma manhã que recorrentemente se dá a mim e a você quando a gente luta e sonha com ela.
“Sonhei que estavas dormindo
Num campo de margaridas
Sonhando que me chamavas,
Que me chamavas baixinho
Para me deitar contigo
Num campo de margaridas.”
Thiago de Mello
Amém Senhor. Obrigada. Eu confio em Ti e me deixa agir segundo esse entendimento, de corpo e alma.

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