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terça-feira, 1 de maio de 2012

LIDA DE POETA



Lida de poeta
Nívea Moraes Marques

Amei cada minuto o poeta em mim para te dizer que só você era o poeta em mim, e que eu não era nada, que você era tudo (e assim revelou-se o poeta em mim).
Mas isso foi há anos-luz. Hoje eu sou o poeta que apenas trabalha, humilde, calado e que não ama mais (foi a última vez).
Sou o poeta que compra figurinos de noivas e constrói para si belos vestidos brancos, quer no seu ventre que cresça uma vida, quer lado a lado motivo e revolta, crueza e paz. Enfim se dedicar ao canto da mesa, aos guisados, as pracinhas demanhãzinha e durante a noite a cabeça recostada no colo.
Amei pela última vez!
O quadro do futuro é tão diverso, é apenas uma família e sobretudo é o ponto do infinito é a história de se explicar poeta e sobreviver em constância, amei sim pela última vez, agora quero ser amada e revelar a minha face de poeta caminhante (tão cega, tão lavada), amei pela última vez, agora quero ser apenas ao lado deste que venha (tão belo), a mulher com um rol de predicados e conhecida apenas por este nome gravado sobre o meu nome, não amo mais, deste sou, inteiramente dele sou (como se o amor não nos desse conta) e como se a poesia fosse o pão de trigo que lhe fabrico com minhas próprias mãos (regado de lágrimas), ventre livre, matéria de sentido e sentimento onde gestar os nove iniciais meses dessa vida nova para a nova casa.
Meu trabalho de poeta é despertar o coração (talvez meu próprio coração), porque o tempo é duro e meu Pai me pede pra ser leve como os frutos das árvores.

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