ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

terça-feira, 24 de abril de 2012

MIRA IRA - BUSCANDO UMA SOLUÇÃO EM DEUS



Buscando uma solução em Deus


"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem"
Romanos 12, 21

Há um quebra-cabeça diante de mim. O bem pode trazer o mal como num círculo vicioso. A atenção, o carinho, o olhar disposto, tudo transfigurado pelo outro em sentimentos tolos, perniciosos.

Mas sou chamada a fazer o bem. E qualquer coisa fora da atenção, do carinho, do olhar disposto pode ser traduzido em frieza e falta de perdão. O que antes seria apenas uma forma de defesa.

Contudo, há ainda o que piso no campo dos sentimentos, um coração magoado que luta para se fortalecer, diluir a dor, desintender o entendimento que destrói tanto tempo de dedicação e confiança.

Na realidade da vida que se pratica só há uma saída: pisar o chão e seguir em frente, às vezes à revelia dos próprios sentimentos, que não nos podem dominar, absolutamente não sabemos parar de sentir, embora seguir (confrontando-se incessantemente com o bem) seja infinitamente mais importante.

...Nívea...

domingo, 22 de abril de 2012

VOCAÇÃO



"O TRIGO ESTÁ SE PERDENDO ENQUANTO VOCÊ ENTERRA SEU TALENTO."
Eugênio Jorge

sábado, 21 de abril de 2012

INSTRUMENTO



Instrumento
Nívea Moraes Marques

O instrumento em repouso é mudo. Mas ouve o barulho das mãos que o manuseiam, ouve o barulho do pés que o sustentam, ouve os movimentos e os sons outros que de dentro dele não nascem, e sim informam seu tempo de sonho, seu tempo em repouso, seu tempo de sono.
O instrumento é complementar ao seu executor, um existe sem o outro, embora juntos sejam capazes de sinfonias. O dono do instrumento não desdenha o instrumento, pois sabe que dele depende se quiser pôr em visíveis o que é invisível.
É importante que o instrumento guarde sempre o segredo da humildade no seu corpo passivo, passível de ser habitado e dedilhado por quem de direito. Contudo cada instrumento também sabe de que matéria sua matéria foi forjada e a alma delicada que envolve todo o corpo para que ele além de sons, tenha cor, tenha água, tenha forma e peso e vulto para servir.
Apesar de não ser o mais importante, cada instrumento é pedacinho de sertão, de selva, de coração, de peteca, de caneta, de papel, de pedal, de corda, de sopro, de chão, de luta, de lida, de vida que espia e esconde o céu na sua talhada natureza.
Quando o instrumento está exercendo seu mister fica tão tensionado que quase cala, mas é belo, quase tão belo quanto o é seu virtuose, é um pinho de madeira feminina, são metais de força viril.
Não me esqueço do que posso a pulso dos meus instrumentos, não me esqueço o que podem os meus instrumentos (mudos ou vibrando). Sei que têm cada qual precisão e serventia. Sei que valem pelo que valem, a música sem eles seria disseminada pelos pássaros, pelos ventos, pelas pedras rolando. Instrumento refina tudo isso e nos faz ver e ouvir o que é óbvio, o que Deus sempre quis dizer, através de um filtro (seu filtro) particularmente belo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

PRESENTE DA ESCRITA



Presente da escrita

Nívea Moraes Marques



Eu me comprometo com as palavras que escrevo e as palavras que escrevo me comprometem.

Para um escritor escrever é vital e talvez esse seja o seu meio de comunicação por excelência.

Contudo, sou uma escritora que não é feliz em escrever por escrever, quero que minhas palavras sejam benditas e sejam, sobretudo, uma ponte a me permitir ser um presente para as pessoas e me tragam pessoas presentes pra mim. (e partindo das minhas palavras, tudo o que somos, sentimos e valorizamos também possa nos trespassar como num gostoso abraço e num gostoso abraço).

Sei que há um caminho a percorrer e que é preciso prática para que isso aconteça. Não tenho muita habilidade para me aproximar das pessoas, um pouco de timidez, um pouco de sem jeito, um pouco de aspereza talvez, muito de ensimesmada. Mas devo me aproximar, quero me aproximar.

Vou contar a vocês um epsódio que me aconteceu numa feira literária em Barra Mansa.

Fui gentilmente convidada a ler uns textos para crianças do primeiro ao quarto ano, mas não sabia ao certo a idade dos meus ouvintes, poderia ser um público misto ou de apenas uma série escolar.

Escolhi com carinho uns poemas e um texto em prosa poética e parti pra minha missão.

Lá chegando me deparei com crianças do primeiro ano e alguns professores, me apresentei e comecei as leituras. Comecei lendo o texto que falava sobre um maratonista etíope que perdera um de seus olhos quando era adolescente e depois li uns dois poemas. O fato que chama atenção é que meus ouvintes ouviam atentos, nenhum barulho faziam, nenhum mesmo e ao final das leituras eles não esboçavam qualquer reação, apesar das pequenas dicas e explicações que fazia sobre os textos antes da leitura propriamente dita, para os ambientar. Enfim na terceira tentativa apelei para a leitura do “Barriga do Bicho Papão”, perguntei quem tinha medo do Bicho Papão (alguns assumiram abertamente esse medo) e o poema é um raio x jocoso do que tem dentro do Bicho Papão. Dois menininhos bateram palmas freneticamente quando terminei o meu Bicho, note-se nem os professores, nem qualquer outro aluno demonstrou alguma reação às minhas palavras. Foi um grande constrangimento para mim.

Na verdade estou mais acostumada a públicos adultos e sempre é uma alegria, com as crianças foi diferente, meu coração somente não desmilinguiu totalmente porque fui salva pelos dois garotinhos (minha humanidade sorriu imensamente e sozinha um bom tempo por esse afago dos meninos). Desde então me agarro a essa esperança, não desisti de escrever (acho que nunca vou desistir de escrever). Tenho que ir, ir, ir cada vez mais ao encontro.

As coisas de Deus pedem perfeição por isso demoram mais. Eu preciso caminhar para águas mais profundas e peço ao meu Senhor companhia constante e que ele me capacite, pois preciso ser um presente bem enfeitado, cheio de laços, papel colorido que se dê e que se receba com um abraço, um gostoso abraço.

domingo, 15 de abril de 2012

MILAGRE



peixe de ouro, peixe de miúdas filigranas, peixe pilombeta, peixe de nascimento tardio, peixe pescado entre nuvens, peixes trazidos da rama esculpida no céu de sua boca, rede branda e carregada (que eu mal posso puxar)... só sei que era quarta santa e que à revelia dos primeiros projetos de Deus, ainda assim Ele também quis ouvir o serpentear dos peixes (pois todo o milagre acontece por Suas forças), Deus veio olhar e ficou fascinado com a invenção dos homens, uma flor no cabelo dela e um cântico de açucena, um beijo carmim no cangote dele e a vivência da completude.

...Nívea...

sábado, 14 de abril de 2012

CARMENCITA



Meu coração pulsa guardado dentro de uma caixa
as notas de música compram cada batida dentro do peito
e a caixa vazia escorre o sangue sem ritmo

...Nívea...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ROMANCE DA BELA INFANTA



Para o meu amor percorrer toda rota
de pele do que sou
guardo aromas de cravo e ourivesaria
de canela
Sem que nada fosse a mim pedido
ainda assim meus reinos e riquezas
em troca dele eu ofereceria
(Porque quem encontra uma pérola
deve vender tudo o que tem
e ir correndo comprá-la).
No meu reino, às portas
você entra!
(podem passar muitos anos
até que você venha
um viço de menina,
secretamente,
sempre te oferecerei)

...Nívea...

sábado, 7 de abril de 2012

RESSURREIÇÃO




Meus pés tocam as tuas portas
nossos sorrisos imensos feito fossem flores de lapela
um entendimento brando do que somos e podemos
meus olhos tremem um pouco, contenho uma lágrima
a espera sempre foi esperança de te/Te encontrar

...nívea...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ



Santa Cruz
Nívea Moraes Marques

Hoje é um dia santo, porque hoje Jesus foi crucificado e morto.

Eu tinha medo da sexta-feira santa, porque era como se o mundo ficasse acéfalo do bem, Jesus percorrendo a mansão dos mortos e o coro comendo aqui na intermediária...

Isso não é bem assim, saindo Jesus das quatro linhas o jogo continua com Deus pai.

E além do mais Jesus só morreu uma vez (há uns montes de anos atrás) hoje fazemos apenas memória desse fato e no entanto, mesmo naquela época Ele avisou: Destruído o templo ele será reconstruído em três dias! Afirmando a sua ressurreição, que para glória de Deus e nossa realmente aconteceu!

A nossa vida aqui na terra é aprender a carregar nossa cruz e seguir após Jesus, não é para ter medo ou raiva da cruz, ela é a ponte que nos leva pro céu prometido.

Não é nada fácil carregar a cruz e o porque tem que ser assim é mistério de fé. A ressureição passa pela cruz, a ressureição de Jesus e a minha e a sua.

A igreja tem tradições que nós católicos gostamos de viver porque nos aproxima mais desses mistérios de fé. É bom vivermos essas tradições e todos os preceitos dos dias de "guarda" os dias santos, que não são invenções do "capitalismo", são tradições que só tem sentido pra quem tem fé.

A cada Páscoa aprendo um pouquinho sobre a minha fé, embora o mais importante sempre continua sendo amar mais e mais o meu Jesus que é a própria ponte para o prometido céu (aqui na terra e além nuvens).

Eu te amo Jesus! (na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, cada dia de minha vida)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O ENCONTRO



O encontro

Ela, com pés delicados
Dedilhando fados
Pulsante coração

Ele, vem andando exausto
Calmo de dor estarrecida
Sábio cordeiro de sangue pingando

Ela então o acompanha em silêncio
Por todo o caminho
O seu filhinho
(para as mães os filhos nunca crescem)

Desde o início dessa viagem
Do filho
Há uma hora do encontro
Com a mãe
O calvário não é nem mais bonito
Nem triste porque esse encontro existe
É mais doce, é mais vida é mais uma pintura
Que fura o meu coração e o seu
Duas criaturas portadoras do mesmo sangue, derramando-se
Coração pobre de anjo
Coração rico de Deus
Oração para lábios cansados
Arrisca mais um pouquinho
Só mais um pouquinho
Nessa dor exigente
Que no calvário verticaliza-se:
há a cruz;
Extravasando ressurreição!

...Nívea...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

TEU CORPO CANOA



Teu corpo canoa
Nívea Moraes Marques

“Teu corpo é canoa
em que desço
vida abaixo
morte acima
procurando o naufrágio
me entregando à deriva.”
Marina Colasanti

No oco dos teus olhos
bem na curvinha atrás
pingam-se os meus colírios
(as lágrimas que voltam atrás)

teus gestos a percorrer com imensos sorrisos
tua voz que revela um pouco do que és para Deus

Nada importa tanto.
Aquele que a tudo dispõe
me põe calada,

eu faço cálculos sobre cada ponto do teu corpo
para não caber assim
no círculo que prende os meus bordados.

domingo, 1 de abril de 2012

OS JARDINS DA MINHA CASA



Os jardins da minha casa

Lírios, oliveiras, figueiras, cipreste, cedro, romã, árvore de canela, jabuticabeira, acerola, goiabeira, limão, bananeira, mamão verde, macieira.

Aos poucos bordo os contornos dos jardins da minha casa na toalha das infindáveis novenas dos cafés e dos terços que sem pressa vamos desfiar, rumo costurado de aromas, cores, mãos que se tocam de repente.

Viagem dos nomes decompostos em música e delicadeza, música de vozes familiares dedicadas a ler em partituras sagradas tudo o que precisa aguar, adubar, podar, apreciar.

Há para esse jardim chapéus de abas largas, cadeiras de prosa, balanços a recitar meninos, calor de mãe e chuvinha de pai, razões de primavera e de inverno para que vinguemos.

...Nívea...