ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sábado, 31 de março de 2012

PARA O MEU AMOR, QUANDO VIER



Para o meu amor, quando vier
Nívea Moraes Marques

“E você não sabe quantos sorrisos eu já dei só de pensar em você.”
Caio Fernando Abreu

Depois de passar por um casamento que existiu bem pouco tempo e terminou porque nunca existiu de verdade, ainda assim não perdi a esperança em também embarcar na Arca de Noé, isto é, de ter um par, de ser um casal, de firmar aliança, nós três, eu o meu par e Deus.
Vão ficando meio ridículas essas esperanças com o tempo se adiantando e a gente meio que naufragando no tempo feito criança com um baú cheio de bordados do enxoval. Até a brincadeira do “Que dia você vai se casar” já fiz, para total reprovação da minha irmã caçula, que é infinitamente mais madura do que eu em seus sentimentos, em suas escolhas na vida, enfim, minha condição de primogênita (e minhas prerrogativas) foram todas anuladas quando me declarei poeta, mais ou menos na mesma época em que me descobri bipolar.
Hoje me consolou tanto o discurso da minha prima Carla, uma amiga dela disse que Deus não fez ninguém para ser só e tendo já feito a aliança depois do dilúvio não carece preocupação porque haverá de aparecer o par para cada uma de nós e que Ele vai fazendo sua parte e nós vamos fazendo a nossa, que ela reza, sai, conversa com as pessoas.
Fiquei pensando se eu faço a minha parte, eu não saio muito, e sempre saio com meus pais. Eu tenho cumprido os meus votos, rezo, e tenho tarefas árduas para enfrentar com a nulidade (e tenho enfrentado), mas sobretudo tento construir um alfabeto para o meu amor com as minhas palavras bentas, para que seja um caminho de pedrinhas ladrilhado só para ele passar. São pequenos gestos de espera, de amor enquanto espero.
Espero com esperança e amor e não tenho vergonha de ser criança (na nossa velha infância). Não tenho vergonha porque o amor é para os puros de coração e não me faltam nem há de faltar sorrisos para te ver chegar e simples assim te abrir um abraço, um imenso abraço, inaugural para tantos dias em que irá até cair de moda esse nosso abraço e a gente ainda vai se abraçar simples assim, como quem acaba de chegar de longa jornada, caminhando por toda a espera e saber que é pra construir o amor (esse país oficial das delicadezas) que se faz esse tanto abraçar de nós.

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