ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 18 de dezembro de 2011

MILAGRE DA TERRA



Caminho pelas ruas conhecidas de minha terra, exercício constante da segurança.

Caminho algumas vezes pelas ruas desconhecidas da minha terra, raramente pelas ruas desconhecidas da minha terra; exercício de reconhecer o não conhecido.

Como se fossem passos por um coração distante (distando meus começos e recomeços).

Não é de se preparar um ano novo, mais novo é o meu coração que teima e teimoso não se importa com a queda, nem com as trincas, quer sair às portas e janelas convidando o sol pra ser sua luz.

Convidando o dia e a noite para terem a sua própria natureza e se revezarem o quanto quiserem (ainda que tenham margens dentro dos tais 365 dias).

Que destinos me bordariam esses pés que nasceram comigo para caminhar?

Sei que todas as horas hão de ser de luta, por todos os espetáculos de que é capaz o sol.

Mas as horas da noite (de um céu despencado de estrelas) há que constar o descanso, um declinar de ombros, um azular o peito (que às vezes feito de vidro como o meu, chora o arrasar das dores, ri também os grãos da alegria).

Suporto bem a causa dos dias, não tão bem, e a espera e a espera e a espera, exercício vão da esperança, que é capaz de construir o mundo.

Da minha terra espero um fruto, um fruto que se rebente em outros. Da minha terra espero milagres, como os que ganharam vida na lavra de outras vidas (por volta de 1970, tempo em que, algum tempo já, nascia).

...nívea...

Nenhum comentário: