ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ 2012!!!



Há alguns dias escrevi estas palavras, por acreditar que Deus não despreza suas criaturas e não despreza mesmo, Ele nos habita, nos ama, nos cumula de dons e bênçãos e da correção de Pai:

Nunca entendi Deus entre margens

nem entre as margens da infinita reverência

Deus se multiplicou homem

Deus habitou o barro

e nos criou à sua imagem e semelhança


Nunca entendi Deus à margem

pairando absoluto sobre os espaços

Deus quis se derramar pão

Deus quis ser bebido vinho

e mais uma vez se integrar ao homem


Nunca entendi Deus sozinho

e por mais importância

que Deus possa ter ou ser a própria importância

Ele não existe se não existirmos

a pedra pode louvar ao Senhor

mas não com a minha voz

tudo pode dar conta da existência de Deus

ma não com o meu coração


Dentro das tardes mora todo o segredo do Pai
que Ele divide comigo,
nada se importando com a minha estatura
Ele olha pros meus pés
e acha que são perfeitos para caminhar

Por isso ele não se importa com nada
e entende quando estanco no caminho
Ele me diz: “Vem!” com tanto carinho
que eu nem me importo com o caminho
eu quero continuar, continuar ouvindo Ele dizer
pra mim: “Vem!” (então eu vou)


No entanto, hoje refletindo um pouco mais sobre as condições deste ano novo que está às portas, compreendi que de Deus para conosco é assim, nós somos o mais importante em sua vida.
Mas é preciso que no caminho de nós para Deus, Ele: o mais importante pra nós. (embora esse amor primeiro peça que por segundo esse amor se reflita entre nós mesmos).
Às vezes esta sentença: “amar a Deus sobre todas as coisas” chega quase a me oprimir, pois não sei como isso deve se dar.
O anjo vem e me diz: “Deixa o Espírito Santo te conduzir, apenas diga sim!”
Eu quero dizer meu sim, sem receios, sem amarras, infinitas vezes sim, para que Ele enfim desenhe a minha vida de acordo com Seus planos e eu me alegre muito por isso.

Feliz 2012!!!! ... Nìvea ...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

OBRIGADA, MEU PAI DO CÉU!!!



Perdoa-me se para te louvar a voz é tão baixa, a cabeça enterrada entre os ombros, não se repetem tanto as minhas preces de louvor.



Perdoa-me se para te louvar tantas vezes é em silêncio no trancado do meu quarto, aos teus pés no sacrário, mas nunca meu louvor ganha as amplitudes dos espaços.



Se pra te louvar sou tão pobre, tão miúda.



E repetidas vezes te peço, e nem tão discreta assim.



Nessa balança poucas são as vezes que te encontro só pra te dizer: obrigada!



Escuta a minha voz baixa, a minha vontade branda, a minha intenção curta, mas a hora é sempre propícia para reconhecer que infinitas vezes você não se importa com a minha revelia, com a minha covardia, com a minha criancice, com a minha meninice, com a minha estupidez (por que não dizer também com a minha ingratidão?). Você não se importa com nada disso e continua em sua tarefa de erguer, de limpar, de curar, de consolar, de prover, de abrandar, de encher e de esvaziar.



Mas eu sei também que o Senhor é uma pessoa, e como faz bem ao seu coração um afago de suas criaturas, um beijo de obrigado é sempre mais beijo de obrigado no teu sorriso de Pai.



Obrigada por todos os motivos e pelo motivo nenhum (embora existam muitos, eu não quero motivo especial algum para dizer na companhia de todos vocês:)



OBRIGADA, MEU PAI DO CÉU!!!!!


...nívea...

domingo, 18 de dezembro de 2011

MILAGRE DA TERRA



Caminho pelas ruas conhecidas de minha terra, exercício constante da segurança.

Caminho algumas vezes pelas ruas desconhecidas da minha terra, raramente pelas ruas desconhecidas da minha terra; exercício de reconhecer o não conhecido.

Como se fossem passos por um coração distante (distando meus começos e recomeços).

Não é de se preparar um ano novo, mais novo é o meu coração que teima e teimoso não se importa com a queda, nem com as trincas, quer sair às portas e janelas convidando o sol pra ser sua luz.

Convidando o dia e a noite para terem a sua própria natureza e se revezarem o quanto quiserem (ainda que tenham margens dentro dos tais 365 dias).

Que destinos me bordariam esses pés que nasceram comigo para caminhar?

Sei que todas as horas hão de ser de luta, por todos os espetáculos de que é capaz o sol.

Mas as horas da noite (de um céu despencado de estrelas) há que constar o descanso, um declinar de ombros, um azular o peito (que às vezes feito de vidro como o meu, chora o arrasar das dores, ri também os grãos da alegria).

Suporto bem a causa dos dias, não tão bem, e a espera e a espera e a espera, exercício vão da esperança, que é capaz de construir o mundo.

Da minha terra espero um fruto, um fruto que se rebente em outros. Da minha terra espero milagres, como os que ganharam vida na lavra de outras vidas (por volta de 1970, tempo em que, algum tempo já, nascia).

...nívea...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UM PRÍNCIPE E UMA PRINCESA NO MAHAL



Trago o teu sorriso bordado no meu peito

Não é uma espera de dias
é uma pausa dentro da última década

Como poderia tanto namorar testar o sabor das bocas
se minha boca só poderá falar um nome
o teu nome
(quando Deus quiser)

Nessa década de pausa, de reflexão
de concordâncias comigo mesma
em silêncio esperei por você

E sempre esperaria

Fico sem graça de prestar atenção
mas é pra mim uma grande alegria
te ver sorrir

Faço festas e preces pro teu sorriso
poemas pro teu sorriso
caminhos pro teu sorriso
(como se jardinasse os passos de teus pés
ao meu encontro)

...nívea...

domingo, 11 de dezembro de 2011

COMO DIZER O TEU NOME



Teu nome
Nívea Moraes Marques

“Queria fazer-te um poema
Mas perco-me no caminho”
Amália Rodrigues

Nas mechas das minhas tranças vou trançando teu nome a mel. Como um castanho mel era a cor original dos meus cabelos, que foram escurecendo junto com a noite.
Escrevo teu nome na palma da minha mão e acalento os sonos do teu sonho, como se fossem pequenas orações de um rosário de cores.
Meus pés gostariam de aprender os caminhos que os teus pés percorrem, para escolher um pequeno trecho e compartilhar contigo essa caminhada (enfim no mesmo sentido), silente ao teu lado, apenas ao teu lado; caminhar.
É tarde, noite alta.
Se eu pudesse te fazer um poema, começaria por teu nome. E aprenderia a te chamar com toda a delicadeza que já sei e a que preciso compreender. Teu nome como uma senha para um mundo que ainda não existe: eu juntinho d’ocê.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TORPEDO DE BOA NOITE



"Night night
Marina Lima

Love
As we close our eyes
Nightie Night
Love
Whisper no goodbyes


Night
The night is an ocean
Where love can get lost at sea
Good night
When you awaken
I pray you'll remember me

Love
As you fall asleep
Nightie night
My love
Don't you fall too deep
Nightie night

Night
The night is a desert
A desert that we must cross
Good night
I pray that this moment
Will never be lost
Never be lost..."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

MELÃO, PAPELÃO, C....



Melão, papelão, c...
Nívea Moraes Marques



“O segredo só pedia
que brincassem todo dia,
a alegria era corda
pro brinquedo funcionar.”
gil veloso


Fiz um brinquedo novo
Um brinquedo-dia
Enchi de palavras
As suas frestas
E apertei as porcas
Com música de cordas
Fiz um brinquedo
Que pulsa
Que chora que pede que dorme e acorda
Mas nunca para
Meu brinquedo de menina e menino
Finge que entende as minhas ordens
As minhas broncas, os meus mulambos
Mas ele rola e grita e sorri
Quando e onde ele quer
Meu brinquedo tem casa de carne
E eriça os pelos no vento
Meu brinquedo poderia ser um cãozinho ou um periquito
Mas é tão junto comigo
Que só vivo se ele vive
E ele só vive dentro de mim
Meu brinquedo é ave e não voa
É relógio e não marca
É bomba e não pode explodir
Faço papel de embrulho para guardá-lo sempre novinho
Mas ele envelhece comigo
Teimamos cuidado um com o outro
E temos inquilinos comuns
Não há preço pro meu brinquedo
E não apresso o meu brinquedo
Ele é mais sábio que eu
Eu sou mais sabido que ele
Meu brinquedo bate incessantemente
As palmas pro meu sucesso
Em segredo lhe dou nomes
Próprios
Mas atende mesmo por melão papelão (coração...)

domingo, 4 de dezembro de 2011

MULHERES DE AREIA




Para as queridas que se esvaem em lágrimas pela Ruthinha e pelo Marcos...



A cada vez que te encontro sua face se disfarça em olhos e lábios
que desconheço
aliás, não te conheço

A cada vez que te vejo nada acontece mas é sempre uma novidade
inventamos recomeços
aliás, nunca um começo

A cada vez que nosso caminho parece se tocar
não tocam sinos, mas minhas pernas tremem um pouco
você poderia ter a mesma intenção que tenho no olhar
aliás, brevemente nos olhamos

aliás tudo é providência

aliás quase sou inteiramente tola

aliás "tudo" pode ser unilateral

aliás pouco me importa

se Ruthinha e Marcos voltaram a ter sentido pra mim!

...Nívea...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Noite Azul



Natalice

Nívea Moraes Marques



Simples a luz

o menino vai nascer

é preciso calar para ouvir

seu risinho de bebê



Ele olha para mim

com interesse de criatura



(não se sabe se sou eu

quem invento o que Ele sabe

sobre mim

ou se é Ele que constrói o que

eu sou)



Mas dentro da caixinha

no meu peito

e que move todos os meus atos

É Ele quem faz a música

É Ele quem sopra a letra

(que eu bordo com capricho)



Nem todas as minhas tarefas

poderiam me apartar desse encontro

flor da minha espera

promessa de toda

vida



Nasce agora uma vez mais

trinta e seis vezes na minha vida

(e sempre é uma demora – de anjos

decorada.

e sempre é uma novidade

que o faz Menininho feito todo e tudo

por nós

Deus-pão

lasca do céu

no céu da minha

boca.