ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Começar de novo



“O tamanho da dor é o tamanho da graça”

Amanhecer pelo avesso
reconhecer-me sã, santa
bicho coisa chuva

Andar por um caminho novo
um caminho meu
caminho pra meus pés não menos dolorido)
me exige revanche
revanche prum medo que mora
dentro de mim

Enfrentar minha própria cilada
minha própria viagem sem mapa
meu primeiro desvão

e descobrir em você uma rosa
(que não era para mim)
ainda assim uma rosa

Em você uma rosa
e em mim?
e depois?
Eu preciso fazer o que é preciso
mas o meu peito é de vidro
(é difícil nascer poeta e ter uma profissão de objetivos concretos
- que ás vezes não me leva a lugar algum)
a poesia é o meu credo
e nas contas menores: amor, amor, amor, amor, amor...

...nívea...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Frevo Mulher



Para ser tua

Nívea Moraes Marques



Debulha a mulher que talvez eu seja

para conhecer a seiva

que me faz tua

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

DEBULHAR MIL AVE-MARIAS



Nesse Instante
Nívea Moraes Marques

“Apeia-te um instante da lombada da terra
E vê das minhas ânsias o íntimo segredo;
Segue o voo da ave da minha fantasia
E me deixa uma rosa de água nos meus sonhos.”
Julia de Burgos

Nesse instante
Em que margeia
Espaços desconhecidos
no meu solo
Não se preocupe!
Fuja das tradicionais cores
Perde a baliza
Corre do medo peralta
Finge que é sempre dia
Finge que há sempre dia

Nesse instante procura
O silêncio da nossa ausência
Transeunte também da cidade
Escolhe a música que poderia
Tocar quando raramente nos tocamos

Nesse instante creia-se a arca da promessa
E eu o anjo
A debulhar mil ave-marias
Só pro nosso amor passar

domingo, 20 de novembro de 2011

Como és Lindo



Hoje fomos apenas eu e Você.
Minha cabeça repousou em tuas mãos
Meu coração não quis nada.
Sou apenas uma mulher e sigo
Te sigo
Quando puder aceitar os tempos
e cobrir com véu os meus cabelos
falarei mais baixo
manterei os olhos mais baixos
andarei devagar
e repousarei outras vezes em Tuas mãos
(porque só Tu para me levares até onde devo ir)

...nívea...

sábado, 19 de novembro de 2011

Hino à Bandeira Nacional



Há dias em que penso que sou brasileira

Há dias, no entanto, que penso ter nascido brasileira

Há dias em que me comovo por esta constatação

e há outros dias em que nem sei porque tenho esta condição

(só sei que não poderia viver longe ou lá, tenho minha língua

tão arraigada nessas terras, tenho minha gente tão amargurada no meu sangue

às vezes não é por orgulho não, é apenas por apego, por este apego profundo

que digo que apenas existo se for dentro das quatro linhas da minha bandeira.

... nívea ...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Para Viver Um Grande Amor



Delicadamente pouso meus olhos em você
Minha voz não sabe dizer o que quero
Meu sorriso não consegue acordar o dia
Sei que é tão impreciso o meu passo
Sei que é quase irreal o seu corpo
Há muito tempo não me interessava esse encontro
Mas a delicadeza desse pouco ar que respiramos juntos
Me dá uma vida diferente
Que me faz delicadamente te olhar
Cuidando (dentro de mim)
Que mesmo dormindo ainda nas manhãs
Eu acorde apenas, para te ver e passar

... nívea ...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CHOVE CHUVA



Meu feriado foi com chuva.

E a chuva foi minando meu coração (não meu ânimo).

Circulei por muitos lugares no Rio, tomei chuva, encontrei amigas maravilhosas, ouvi Ney terça na praia (sob chuva), tentei dançar forró no domingo à noite (sob chuva), comemos doces em Ipanema (sob chuva).

Mas o curioso foi a convivência (sob chuva) com tantas mulheres de idades variadas e com a mesma preocupação: os rapazes (umas com uma presença excessiva, outras com uma ausência enervante), mas os rapazes ainda são um grande assunto pros cabelos escovados das moças.

Os rapazes representam sexo (elas me diziam entender fundamental esse ponto), mas o que mais me impressiona nos rapazes (claro que não ignorando todos os detalhes que lhes são peculiares) é o outro lado da moeda.

O que pensam os rapazes de mais tão simples do que nós, que a apenas um comando seu, nos tornamos dóceis, nos dedicamos ao lar, queremos ter filhos e desistimos de tudo (ou quase tudo), por apenas um beijo todas as manhãs.

Há alguma coisa neles (fora os detalhes imprescindíveis...) que diz com mais eficácia que qualquer discurso que nos dizemos, amigas de vida toda. Ele diz com mais eficácia, não importa se seja profissionalmente talhado para isso.

Mas, mais do que detalhes imprescindíveis, as experiências masculinas tocam a pele de uma mulher e a fascinam, queremos caminhar por onde não pudemos ou poderíamos, seguras pela mão dele.

Queremos beber esse não sei que mais forte, mais preciso, mais seguro e mais másculo de que não temos em nós, por mais que sejamos, fortes, precisas, seguras e às vezes até másculas... Não importa, esse não sei que não temos (e não se trata só dos detalhes imprescindíveis), trata-se da imortal e inconfundível diferença que nos faz homens e mulheres.

E às vezes uma conversa de uma hora, talvez nem isso, nos faça ter a certeza de que os meninos sabem infinitas vezes mais aonde uma menina deve ir (de preferência ir com eles) embora isso eles não digam (e em sua “intuitiva” forma de ver e pensar o mundo) seja o que as meninas entendem de sua forte, precisa, segura e máscula palavra.

Reedição com música, porque assim é que deve ser



Árias Pequenas. Para cantar
Nívea Moraes Marques

“Rama secreta”
Hilda Hilst

Desenho o teu olhar doce
Para pífaros de crianças pequenas
Ainda assim há um aroma sensual
(que não perdeste)
E que ainda assim
Se despe pecando menos
Explícito só o meu desejo
De que tenhas a chave
E se demores mais
No calado do meu colo

domingo, 13 de novembro de 2011

BITUCA

“como se fossem ao Êxodo”
Adélia Prado

Poucas horas depois de sábado. E sábado foi aniversário do meu pai. E fomos todos juntos ao show do Milton. E vimos a chama da voz do cantor apagar e acender. Meus pais conheceram um Milton bem jovem. Meus pais também foram já bem jovens. Nem eu sou mais bem jovem... No entanto minha natureza ainda sorri dentro do tempo, sem esperança, com esperança. Minha carne poderá até se multiplicar, no entanto minha alma já deu graças e se partiu em mil pedaços, desses que vocês podem ler, que vocês podem guardar, para que um dia, talvez, faça sentido (apagando e acendendo esse não sei quê, que pouco vale mesmo sendo raro, e que se chama arte.)

Beijo Milton, te amo! Você canta a minha vida como tantos e raros poetas, e é tão especial pra mim (porção da minha herança), fiquei feliz em te ver bem e principalmente porque você cantou, só pra mim, Encontros e Despedidas (será que ele lê meu blog?)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Encontros E Despedidas



Minha vida morreu. E como uma semente que quer brotar, sente a terra, o solo, o chão. A música rega o coração da semente (que sempre acredita na possibilidade de renascer).

Milton sabadão à noite para celebrar renascimentos!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

SORRISO DE CRIANÇA



O único sorriso

Nívea Moraes Marques





Cada sorriso esconde e revela.



Cado sorriso põe uma surpresa dentro de uma caixinha.



Cada sorriso empresta um azul profundo para meus olhos.



Cada sorriso despista as marés e enche de cores salgadas,

prorrogando o vigor das manhãs.



Cada sorriso é mais uma forma de nascer, é mais uma resposta

para aqueles que caminham todos os dias.



Cada sorriso pode dizer mais que qualquer palavra,

apenas presumindo e refazendo o passeio da delicadeza.



Cada sorriso emoldurado informa

a doçura do que é divino no que é humano



Cada sorriso não é nada mais que um sorriso,

mas é, talvez, o único sorriso que sorri em mim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

À maneira de Eduardo e Monica



À maneira de Eduardo e Mônica

Ir e vir, sincronicamente Sincronicamente meus pés pisam os seus(não sei se saberemos dizer ou dançar pés X pés)De todo modo, eles se cruzam (quantas vezes a nossa própria revelia)nas ruas
Na areia, no solo do meu país.

domingo, 6 de novembro de 2011

NO CARITÓ



Fiquei para tia
Nívea Moraes Marques

Desde que estavam no ventre de sua mãe
Eu os declarava meus filhos
Embora nunca soubesse como os educar
Numa pose meio gaiata
Finjo dar-lhes disciplina
Mas dou-lhes colo
E ás vezes uma voz um pouco séria

Quando penso que estou
No campo do que é sobressalente
(Nunca no coração desses pequenos sobrinhos)

Mas algemada no meu próprio leite
Ainda procuro a luz de cedo manhãzinha
Que me acorde, tonta,
(nos olhos teus)
Abertos religiosamente
Uns três minutos antes
Só para primeiro ser aquele a me dizer:
Bom dia!

sábado, 5 de novembro de 2011

Back to the 80




Meu sonho num navio
Nívea Moraes Marques


“Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar”
Cecília Meireles


Crio reinos de alegria
Com as letras a lápis
Que imprimo
No meu solo
Não há margens
Nem caminhos
Pro meu sonho
Há pés e remos prontos
Para a viagem

O TEU OLHAR DOCE

Árias Pequenas. Para cantar
Nívea Moraes Marques

“Rama secreta”
Hilda Hilst

Desenho o teu olhar doce
Para pífaros de crianças pequenas
Ainda assim há um aroma sensual
(que não perdeste)
E que ainda assim
Se despe pecando menos
Explícito só o meu desejo
De que tenhas a chave
E se demores mais
No calado do meu colo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

GRÃO



Aníbal, Dondinha, Edair, Eugênia, Inéia, Kátia, Lidinha, Patrícia, Rodrigo, tio Tião, vô Joãozinho
Lembro com a morte desses queridos a vida que me enche de lágrimas os olhos
Refaço seus caminhos comigo e convido Jesus para nos acompanhar nessa jornada
A cada missa estamos unidos, ainda que distando intransponíveis mundos
Rezo por sua salvação, parentes e amigos que intercedem por mim
Vida que vive ainda que escondida no pão
Quero comungar nossa vida
E encher de significados sãos
A vida do hoje para sempre
E escrever no livro da vida
Todos os nomes que eu souber
Todos os nomes que eu puder
(até dos meus inimigos)
Para ensinar à morte que todos eles vivem
no bordado da minha letra, também porque
partiram do esforço da minha mão
(um irmão é entregue pelas mãos de outro irmão)
Alcançando de Deus, numa única palavra, uma segunda ordem:
VIVE!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

SALMOURA



Moraes
Nívea Moraes Marques

Meus pés transbordam delicadeza pintados à mão
para bordar o chão da dança
Meus olhos mouros
tem um castanho claro emoldurado de negro
que ilumina essa benigna sedução
Ao me observar, já não somos mais os mesmos
estamos costurados à música
e vamos nos aproximando, sem nos tocar
os aromas de café, dos números arábicos
das cores sem fim azul marinho e magenta
da esperteza da linguagem
se apertam nos nossos perfis
somos outro povo, dentro do povo
cotidiano
somos outra terra, dentro do solo
do Brasil
acolhemos nossa bela ascendência
num caminho de regressos
num paladar de hortelã
e num sonho cheio de véus
cobrindo de névoa essa noite
mil em uma
noite
a dos nossos perpétuos votos.