ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CRUZ CRAVEJADA DE BRILHANTES



A alma pede pelo corpo
Nívea Moraes Marques

“Não queremos aceitar o fato de que o sofrimento é necessário para nossa alma e de que a cruz deve ser o nosso pão cotidiano. Assim como o corpo precisa ser nutrido, também a alma precisa da cruz, dia a dia, para purificá-la e desapegá-la das coisas terrenas. Não queremos entender que Deus não quer e não pode nos salvar nem nos santificar sem a cruz. Quanto mais Ele chama uma alma a Si, mais a santifica por meio da cruz” (Padre Pio de Pietrelcina).

Não entendo a cruz de cada dia e a suporto pouco. Me revolto contra ela, como um peixe que é lançado na areia da praia com um fio de vida.
Sei que se Cristo tivesse rejeitado sua cruz, eu hoje não teria sequer esperança, não poderia ter uma alma imortal que almeja o céu e num futuro-mistério um corpo glorioso ressuscitado.
Sei que Cristo é o modelo que devo seguir, é o perfil que tem de se ajustar ao meu, o que então fazer com o pão da cruz? Cravejá-lo de brilhantes e pendurá-lo ao pescoço?
Meu Deus, nem na arte nem em qualquer outra pessoa reside a verdadeira felicidade, apenas no Senhor, esses são os ensinamentos do verbete 1723 do catecismo da Igreja.
Por outro lado, o Senhor me abençoou com alguns dons, pelos quais eu terei que prestar contas. Há uma razão de ser para a minha vida (tudo bem, seja conhecê-lo mais e ser cada vez mais apegada em ti), mas os meios para isso passam por nossa missão, passam pelas pessoas com quem convivemos, passam por nosso coração, passam pelas nossas realizações, passam pelos nossos projetos na vida.
Senhor eu não quero desviar-me da cruz necessária, mas eu quero me aproximar daquilo que em mim precisa ser carne (porque por enquanto vivo neste mundo), precisa ser corpo, precisa ter forma, precisa ter casa, precisa amparo, precisa sentir o sentido que o Senhor mesmo semeou no campo que passa por todos os estados da parábola do semeador, e ainda assim quer se estabilizar plano, fecundo, arável, propício.
Minha alma pede por meu corpo: salva-nos!

2 comentários:

Eduardo Lara Resende disse...

Bonito e consciente grito de socorro. Cruz é cruz, e Deus (que é misericordioso, mas também é justo) não nos dá uma acima do peso que podemos suportar.Grande abraço.

Nívea Moraes Marques disse...

Eduardo, cruz é cruz, corpo é corpo, céu é céu, e na terra há de começar o céu, apesar das nossas cruzes.

Eu quero a sabedoria de carregar a minha cruz e não abandoná-la mais, mas também quero a graça de plantar mudas de céu no meu jardim.

Fico feliz quando aparece por aqui e plantas também essas mudas em meu jardim!

Obrigada! Um grande abraço procê também.