ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 2 de outubro de 2011

COMEMORATIVA DOS ANIVERSÁRIOS



Já comemorando o aniversário da blogueira e do blog, convidei dois poetas para acender a palavra, assim como convido diariamente a todos vocês que se unam a mim nessa tarefa: acender para ascender, a palavra, é claro!rsrsrs

Abração em todos! Nivea.



A PALAVRA
Tânia Tomé – Poeta moçambicana, nascida em 1981. Participou da antologia Um abraço quente da Lusofonia e publicou Agarra-me o Sol por trás (Ed. Escrituras, São Paulo).


A palavra quer deitar-se
sozinha, reflexa
contemplar devagar
o sol que morre ao silêncio
Não há pressa, não há medo
A palavra quer morrer
quantas vezes for preciso

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Quantas vezes for preciso
Nivea Moraes Marques

Quantas vezes for preciso
A palavra há de nascer no solo do meu peito
E se a hora não é propícia
Há de saber calar.
E se a hora é propícia
Há de saber dizer
E te tocar tão fundo
No íntimo do homem que
Você quer ser
Crescendo baixinho nos ouvidos
Surdos, nos ouvidos mocos
Nos ouvidos que exigem ainda ouvir
Uma palavra que se presta
Não importa se para a morte e para vida
Para vida de ressurreição
Para a vida simplesmente
Simples como quem acorda e sai a passear
Movido por esta porta aberta: palavra bendita
Como um cãozinho que entra na igreja
E deita no tapete do altar para viver a
Missa.

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Como a um pássaro
Nívea Moraes Marques

alguma palavra
que desabrochei, como a um pássaro.
João Cabral de Melo Neto

Desabrochei a dor no meu peito
E deixei-a habitar como a um pássaro
sobrevivente silvestre, pois não o engaiolei
Nem o alimentei,
nem dei de beber água fresca

como a um pássaro que caminha
beliscando minhas bochechas gordinhas
meu sorriso amuado
minha solidão habitada

a dor desabrochada, convidou-me a fazer aniversários
veste-me chapeuzinhos de crepon
e ri das minhas saias de prega macho

mas ainda como pássaro inteligente
ela migra no tempo frio
e eu tenho algumas estações de intermitente felicidade
(felicidade clandestina)

De repente alguém me agradece
Um gesto
Alguém me sorri gratuitamente
(ou apenas dois menininhos batem palmas
Pro meu esforço poético)

O pássaro rubro regressa
E já então posso colocar-lhe
Um pires de água e outro de alpiste
Porque meu peito agreste de dunas
Já mais fácil pode suportar suas asas de ferro
Batendo contra meu estofo de vidro.

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