ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

terça-feira, 13 de setembro de 2011

MUDA A ROTA NIM VOCÊ



Açúcar do centro da beterraba
Nivea Moraes Marques


“A coisa mais fina do mundo é o sentimento.”
Adélia Prado

Esses dias me trouxeram as mãos cheias de sentimento.
Voz que preciso ouvir; melhor, voz que não quero ouvir. Melhor, voz que se ouvir volto a adoecer de um banzo pura poesia.
Nesses dias pergunto a você, onde meu novo amor? Corre as ruas, dorme breve sono, pisa águas de poças, suja sapatos crus e luta com palavras cruzadas para poder também dizer, como mais ninguém diz, o meu nome.
Tais dias o leão que espreita a minha mentalidade abre um olho e fecha o outro, quase abana o rabo e ensaia a majestade em quatro patas erguida, mas me controla a medicina, não posso o voo descendente que te procura, passado passando, teia de vida que me protege e me aparta, não podemos estar juntos e sós, o mundo de meu Deus é tão maior que nós (embora tão menos delicado).
Sinto sua bela voz dizendo Nívea e é como a gênese dessa historiazinha, dessa história minha, dessa história que é a gênese da poeta em mim, foi do açúcar do centro da beterraba, foi do miolo da flor selvagem e estranha que dormia calada na minha boca.
Não podemos nos tocar, não podemos nos ouvir, há uma rota nova no coração do peito nosso, uma amizade velha, do verbo inexplicável da antiguidade de nossa relação: podemos ser amigos simplesmente.
Você a cada momento prova o novo e vive e vive, eu parei naquele instante e peço apenas a Jesus me dê uma nova vida. Me dê cor nova para meus olhos, me informe interior novidade, me dê um homem que delicadamente apague essa luz e incendeie os dias novos do presente.
Quero que meu coração mude a rota nim você. Pois a essas horas eu também preciso de um amigo que nunca será um, será um duplo céu coberto, protegido do cheiro das distâncias percorridas e a percorrer.
Preciso de um amigo, embora não saiba medir sua estatura. Embora não saiba medir os ml de água pura que apagariam esse fogo, gênese da destruição da minha ingênua messe, da minha pequena árdua tarefa.
Quero olhar essas lindas tardes desejosa de tê-lo feliz, com quem estiver e se um dia te reencontrar, apenas te dar um singelo e meigo abraço, envolvendo a tela que nos separou sem praguejar, sem reclamar propriedade, propriamente.
Amigo, perdoa o meu sem jeito, recebe este meu novo abraço. A vida sem explicação, ainda é melhor que a vida dos que teimam com ela.

Nenhum comentário: