ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 1 de maio de 2011

A MARAVILHA DE SER HOMEM

“Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa...chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...”

Castro Alves


Há alguma coisa
Nivea Moraes Marques

Há alguma coisa que a escravidão não mata,
Não machuca, não destrói, não corrói, não modifica,
Não inunda, não admite, nem controla

Está sob a pele, está no fundo dos olhos, está plantado no peito
Está fabricando o suor, fica no calado da voz, fica nos dentes que sobram
Corre no mais fundo do corpo, pregado no sangue do corpo

Há alguma coisa (pouca e fundamental) que à escravidão foge
Que sob escravidão insiste em não ser, insiste em ser
Insiste em se dar e louvar e rir e chorar e correr e ficar e comer e se abster

Há alguma coisa que vive e morre liberdade dentro de mim
É alguma coisa que me faz homem e que define em mim essa qualidade
Sem que nada mais acrescente, sem que nada mais diminua

É por isso que eu resisto (até à sobrevivência)
É por isso que eu sei, que apesar de minha condição de ferramenta
Engrenagem, tabula rasa do capitalismo
A um grito meu, tudo se quebra
Continue-se a caminhar para onde se caminhe
Há alguma coisa em mim que me faz homem
E me capacita á resistência (até a redenção)

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