ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

terça-feira, 12 de abril de 2011

O SOL QUE AQUECE MÁRIO E MANUEL

Conviver com a poesia
Nivea Moraes Marques


Em toda atividade é necessário conhecer os mestres. De todos os tempos. Eu sinto necessidade de colecionar referências, de ler, de garimpar, de me aproximar, de “iniciar uma amizade”.

Já me agarrei a livros, Já enviei carta, e-mail, alguns conheci pessoalmente, alguns me conheceram pessoalmente. Costumo cutucar a onça com vara curta, às vezes sou feliz, outras nem tanto, mas sempre é uma descoberta, um detalhe. Preciso me reconhecer nesta família mais experiente em quem me apoio, plataforma para meus próprios saltos ornamentados.

O fato é que num desses e-mails, dessa vez respondido, Affonso Romano me indicou dois títulos seus “Sedução da Palavra” e “ A Cegueira e o Saber”, desses livros retirei uma lista de livros para ler, um itinerário para iniciar iniciantes.

Dentre eles, Sabino, Ezra Pound, Manuel Bandeira, Mário de Andrade o próprio Affonso e por aí vai.

Alguns capítulos de livros, dos quais eu não necessitava a leitura integral, tirei xerox, outros me foram vindo por meio da “Estante Virtual”, os maravilhosos sebos de todo o Brasil.

A cada novo livro vou dando conta ao Affonso das minhas experiências. Confesso que no último e-mail fui um pouco desaforada. Externei a minha indignação diante da conversa “fiada” relatada na troca de correspondência entre Mário e Manuel.

O castigo deles veio a cavalo. Eu que nunca tive alergia de qualquer espécie, peguei uma alergia danada com o ácaro que pesava o pequeno livrinho de correspondência dos dois belos poetas.

E a impossibilidade de chegar perto do referido livrinho me fez ter uma afeição por ele que eu não tive no primeiro momento. Mário e Manuel me faziam falta, queria porque queria saber se no final da cartinha do dia eles estariam felizes, com raiva de algum crítico, fazendo-se mútuos elogios, externando as dificuldades da vida e ora e outra falando alguma coisa sobre a bendita poesia.

Minha mãe me sugeriu comprar uma máscara... E eu já achando que os dois mascarados já bastavam. Mas que vontade de chegar mais de perto o ouvido e deixá-los falar!

Retirei pesarosa o bendito da minha cabeceira e foram de quarentena para a estante de livros...

A poesia não se contém e não se detém trancada em livro algum.

Retorno do trabalho e qual não é a maravilhosa surpresa, minha mãe abriu os livrinhos (esse e mais dois que estavam em quarentena – um do Poe e outro do Manuel) no parapeito da minha janela e deixou o sol banhando-os, vejam vocês: Mário e Manuel tricotando ao sol no parapeito da janela do meu quarto.

Achei tão bonito aqueles dois ali e nem me importei se o remédio era o mais eficaz (ainda não tive coragem de voltar a reler). Para mim, o mais eficaz é conviver com os poetas e a poesia.

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