ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sexta-feira, 18 de março de 2011

CRIANÇADA

Fruta-pão
Nivea Moraes Marques


Um homem carrega uma criança no colo
e parece que carrega um enfeite
um pingente bonito
(um saquinho de risadas)
um macaquito que dorme

Carrega, na verdade, um pedaço de nome
uma historiazinha começada e pausada
numa breve vírgula

Esse tempo leva a criança (adormecida ao colo)
a passeios inimagináveis

Onde vive, os anjos não podemos ver
mas há cores e sons e diversos mundos
que passam dentro das gentes que caminham
sem cessar ao seu lado

Macaquito acorda e finge desentender-se
pão,
bolo,
confeito de estrelinha
sua realidade apenas é aquele braço
(que carrega o futuro feito fruta-pão)

quarta-feira, 9 de março de 2011

COMIDA E BEBIDA

Reestreia
Nivea Moraes Marques


“tenho comido e bebido sem pagar”
Adélia Prado

Ouço barulho de pés nas escadas
as folhas secas de nosso jardim
brincam prenunciando pó

Há tanto tempo espero
a tua chegada
(velas do meu desespero)
sinto que vens
e tardas já!

Tanto para nada
Nada para tanto

Nosso jardim à beira
de tantos desperdícios

Sem que eu pague o bilhete,
a surpresa ainda teima
em ser o cartaz de um filme
sem roteiro, trilha, direção
Fica chiando em preto e branco
aquelas listras indo e voltando na tela
em branco...
Numa estreia que sempre
reestreia.

sábado, 5 de março de 2011

DAS ORAÇÕES

Até que Deus tenha pena de mim
Nivea Moraes Marques


"A força da bênção é maior que a força da natureza,
porque a bênção, muda até a natureza"
Santo Ambrósio


Até que Deus tenha pena de mim
vou perseguir a pureza do corpo e da alma
para poder cultivar a castidade da vida conjugal

Até que Deus tenha pena de mim
vou me emocionar com cada aceno
de Sua voz

Até que Deus tenha pena de mim
e me conceda em paz
um esposo, um matrimônio, filhos amados
um lar com oliveiras e parreiras,
jabuticabeiras e goiabeiras
e um sagrado coração de Jesus
esculpido no coração do meu jardim
guardião da paz em moradia perpétua
no meu lar cristão católico

Até que Deus tenha pena de mim
e me conceda tudo, não só para
a minha felicidade, mas para cobrir
de vidrilhos e lantejoulas a
coroa de glórias do meu Senhor.

Até que Deus tenha pena de mim
vou continuar sonhando (ainda que timidamente)
Vou sonhar Sua misericórdia
apagando meus erros e culpas
Vou rezar às tardes para ser
do meu Senhor um olho que ri
e chora, um olho que vê
e dorme e sente amor.

quarta-feira, 2 de março de 2011

PARA REZAR

Neste mês do carnaval, nas vésperas do carnaval, sei que é importante brincar, cortar de alegria o céu, mas depois vem um bom deserto para refletir, para rezar, para acalmar e preparar realmente um ano novo.

Sei também que neste blog "Retratada" me revelo um pouco e um pouco mais de cada vez.
Quero dividir com vocês algumas orações escritas, que relendo achei bonitas e necessárias, rezar é também um atualizar-se, um passar-se a limpo, um descobrir-se para Deus e para todos!


"Ò Pai te agradecemos pelo vinho e pelo pão."

Nunca devolver o mal com o mal.
E que a paz repouse em nosso jardim.

Que tenhamos um lar com parreiras e oliveiras
e que a paz repouse em nosso jardim.

Jesus te peço ainda:
Que eu tenha com quem dividir
as tarefas, as despesas, o pranto,
as mãos dadas,
o gosto da vida, o desgosto da vida.

Dividir, partilhar, abençoar, bendizer
cumular de cor e de alegria a vida cotidiana
o tempo de existir.

Dividir a construção de pedra, a construção de vento,
a construção de nuvem, a construção de açúcar,
a construção de plantas e árvores pequenas,
de graminhas e pedrinhas
de chuvinha calma e rotineira
Construir assim, como quem não quer nada,
um amor para sempre.

terça-feira, 1 de março de 2011

A PELE DO MEU CORPO É SERPENTINA E CONFETE

Cheia de Parati
Nivea Moraes Marques

Fiz da serpentina e do confete
a pele do meu corpo.

O repique invade o coração cansado
e a cuíca marca o tino do sangue na veia

Fiz da serpentina um casaco
e do confete confeitos

Eu não culpo o carnaval
por meu rosto triste

Parati enrola a língua
e eu canto sambinhas na chuva

(qualquer um que vê
me pensa ausente,
triste, em solidão...)

Não culpo mais o carnaval.
Minha Escola é a esperança
Meu tempo é o todo instante
minhas saias é um girassol ao meio dia!

Eu caibo inteira na garrafa
Cheia de Parati.