ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 24 de outubro de 2010

SOLITUDE II

Solidão
Nivea Moraes Marques


Uma única rosa num feixe embrulhado para presente, que se desprende.

Ao redor, as pessoas gravitam e interagem num balé de muitos atos, mas falta um...

A minha solidão não despede as pessoas sem palavras, sem bom dia...

Minha solidão não é uma alma que sofre ausências e se descobre una, minha solidão é a falta de alguma coisa que em mim pereceu e eu preciso no outro.

Experimento muitos sentimentos e muitos encontros de todas as espécies, na vida, no trabalho, na família, com Deus... Mas me falta...

Minha solidão é uma parte de mim que sabe a laranjas e suas metades, queria experimentar o amor humano, uma espécie de amor que não existe no céu, um amor sexuado e puro, um amor de resguardos e cumplicidades, um amor do tempo do gênesis, um amor do qual nascem frutos.

Frutos de delicadeza e de acompanhar, frutos de fraternidade e de paixão contida, frutos de carne e osso (na descendência de mil grãos de areia).

Eu não queria partir sem viver esse amor e ainda gozar da misericórdia de Deus pela tentativa que se desfez, que não se deu, que foi em vão.

Em vão vazei os engradados do sagrado e se hoje já não posso mais inaugurar o nada, quero tudo, e preso às minhas duas mãos maduras:

Um amor que seja por inteiro são... mesmo nos meus dias de cachorra.

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