ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 18 de julho de 2010

ÁRVORES QUE ANDAM

Trilha vegetal
Nivea Moraes Marques.

“(Ah! Não ter asas!...) estendeis os ramos
À esperança e ao mistério do horizonte.”
Olavo Bilac

Preciso dizer a vocês que nunca troquei palavra com uma planta. De tantas esquisitices que cercam qualquer ser humano normal, a esta ainda não me entreguei.

Mas acredito ser muito salutar tanto para a planta, quanto para o homem o dedicar-se a ouvir e dizer em palavras vegetais.

Tenho quase que uma geleira no peito quando o assunto são plantas. Aguando demais ou deixando secar, me distraio com a vida e esqueço que elas existem (não deixem suas plantinhas de estimação sob meus cuidados...)

De repente elas forçam entrada no meu campo de visão e é um milagre, ainda que silencioso, uma cerejeira branca, ou uma acácia amarela, ou as patas-de-vaca do outro lado da janela da Prefeitura. Elas se derramam sobre mim e começo a existir com elas.

As árvores convencem o céu de coisas (expostas que são ao horizonte), tais coisas para mim são incompreensíveis.

De repente elas forçam entrada no meu entendimento e é um alfabeto vegetal inteiro dentro da minha língua mãe (não que travemos diálogos e planos de conquista), mas já então posso dizer: toda noite as árvores percorrem as ruas, estradas, caminhos e se elas estão paradas quase todo o tempo é para nutrir de experiências a sua trilha secreta.

2 comentários:

Eduardo Lara Resende disse...

Geleira dentro do peito quando o tema são plantas? Não creio. Porque não é possível 'confessar' sobre elas com tanta poesia.
Abraço.

Nívea Moraes Marques disse...

Eduardo, talvez você tenha descoberto lírios sob o asfalto, e essa "confissão lírica" devo a você inclusive.

Obrigada por me visitar aqui no Retratada, Abraço, Nivea.