ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sábado, 1 de maio de 2010

DITO DA BARRA

SAMBA DAS MOÇAS
Nivea Moraes Marques

Os pés delicados das moças, calçados em sapatilhas à moda sevilhana, guardam tantos passos de dança, que os braços em preciosa alavanca deslocam todo o corpo sem a precisão dos pés.

Sapato rasteiro não deixa os pés deslizarem, são saltos de baiana, são saltos de sereia, são saltos emprestados das mães, a estatura das moças que sambam.

Tenho comigo que as rosas se pudessem falar tramariam contra essas moças, que têm perfume de flor e saltos de pedra.

Fosse numa tarde qualquer a roda do Belico, a roda do Dário, a roda do Seu Dito da Barra, mas as moças em samba, sambam em qualquer piso e salão, apenas pela gostusura do bailar africano.

Rendas enfeitam seus colos e saias multicoloridas caem tranquilas sob seus quadris.

Seus cabelos em tranças de nonas negras, fazem um craquelê na pintura de monalisas atuais.

Brancos dentes sorriem para todos, o sorriso ganha do i um apoio e tocam o ritmo para a casa do som apurado.

É preciso ter classe no samba, é preciso ver esse samba das moças, e elas ainda cantam:

minha nega mudou o sol de lugar
cozeu o sol na panela
e toca que mexe e toca que mistura
a noite nunca é inteira
no prato branco do feijão sujo
que me espera no jantar.

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