ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

terça-feira, 2 de março de 2010

UMA BELA CHUVERADA

Um Deus tão triste
(Nivea Moraes Marques)

"Na eternidade, ninguém se julga eterno"
Fabrício Carpinejar


Quero aprender a incluir Deus no convite de alegria que a vida me faz.

Sempre lembro do meu Deus. Desse ombro, dessa testa, dessa mão de Pai que me ampara e observa, mas principalmente e em todas as horas de angústia.

Não se trata de um relacionamento mercadológico, ou de uma prateleira de mil livros de auto-ajuda, mas meu Deus é triste... se alimenta das lágrimas que eu não choro, cachoeiras internas tão pesadas que nem vale a pena dar vazão.

Mas esses dias aqui na Terra me parecem eternos, sinto que ainda sou jovem por experimentar essa sensação, ou é o peso da vida mesma que me faz sentir tão permanentemente atada a esses dias infindáveis.

Tantas novidades já me cercam nesse ano novo (imenso) e já me vejo no Natal de novo, sem saborear um nada do que me presenteou o meu Deus tão tristinho.

Quero saber que Ele venha dançar ciranda, que Ele tenha lapsos de memória em momentos cruciais e não fique chateado ou no prejuízo, que Ele cuspa tantas regras e boas maneiras num pires de mingau, que Ele pinte o rosto e saia pra festas bonitas, que Ele veja mais filmes poéticos, que Ele leia pelo menos um livro bom, que Ele sinta o sabor de uma bebida quente no inverno, que Ele emagreça uns quilinhos sem muito esforço, que Ele encontre enfim um namorado que valha a pena, aque Ele creia que ter um filho um dia é construir um sentido pra vida, que Ele trabalhe naquilo que é bom, que dos Seus lábios saiam palavras de bendição. Que o fim do ano não seja mais um acerto de contas, seja só o início e o fim. Sem se importar com efemérides ou datas, nem mais uma era de eternidade. Que tudo apenas seja visto como mais um bom-dia sincero de quem na verdade acabou de acordar ( e tomou já uma bela chuverada!)