ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

domingo, 6 de janeiro de 2008

FLOR AZUL

Ave do Paraíso
Nivea Moraes Marques


No centro da rotunda
habita uma ave azul.
Suas penas pedem um pouco de
silêncio
e qualquer demora
que os passantes possam entregar a Deus.
Já que Deus não nos pede tempo
nem a vida nos despede sem tê-lo gastado
o quanto baste
para apenas dizermos: vivi o meu tempo!

Outras aves menores habitam
a rotunda
Embora pudessem ser mais lindas que a ave azul,
não são.
Suas penas
não reclamam tempo
mas desfazem os véus
do casamento que esperei e espero
ainda nessa vida.

Vida contraída na cauda desses
pássaros
que não sabem onde o vôo não permitido,
pelo menos por hora.
Hora em que o veterinário
ensina à platéia
os hábitos da natureza para com as aves
os hábitos das aves para com a natureza.

Imóveis nos pequenos passos
de asas tão recolhidas,
não me perguntam mais:
“Terá ele um nome?”

Eu até poderia pensar
fosse ele mesmo o veterinário
(pois minhas pulgas catou-as
uma a uma
a pele respira livre das marcas
sangue-suga desses bichos que
não mais me pontuam)


Rezo como se fosse ave
guardada em vida numa rotunda

Não peço que venhas ter comigo,
já sei como devo te amar

Não te peço o que já houve entre nós.

Exijo que acorde agora mesmo o nosso filho
batismo do batismo de Jesus,
João guardará nas asas que aprenderá ter,
um bem que nós nunca mais poderemos recolher:
a flor azul do próprio nome.