ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

PALAVRA

O poder da palavra
Nivea Moraes Marques



A palavra entra no meu corpo e habita espaços sem nome, provocando e calando dores (todas minhas velhas conhecidas).
Costura sob a minha pele um passeio em que ninguém caminha (só eu sei aonde a palavra me habita).
Quando a natureza construir em mim uma pequena vida, sei que ela só verá a luz se a palavra deitar pontes para esse nascimento.
Meu corpo se abre à palavra.
Se abre fisicamente à palavra. Não é um jogo erótico em que vulgaridades se amontoam para causar o efeito da excitação. Não. A palavra exata, branca, sem apoios no cenário, em instrumentos, só a austeridade da voz de quem a profere e a precisão das suas sílabas alterando fisicamente o estado de músculos, ossos, pele.
A palavra habita também os espaços nomeados do meu corpo. E como poderia dar a ela a senha do meu pulso? A entrada (por dentro) às paisagens do meu sono?
Nada pode a palavra sem que permitam meus olhos e ouvidos (suas soleiras). Sem que eu permita esse Império de mil Reis.
Mas quase nada pode a palavra quando vem e fica e não se reproduz. Uma palavra quer a outra.
É preciso ouvir. É preciso falar. Sempre mutuamente.

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