ESTRELA DAS ÁGUAS BLOG DE LITERATURA INFANTIL

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

GALAR






O galo e o catavento
Mauro Mota



Pousa no topo da haste como peça
branca do cata-vento, na cumeeira
da casa. O cata-vento gira, e o galo
mudo, esculpido em folha, só, no aéreo
poleiro, também gira, gira, gira.
Ventos catados pelo cata-vento
tentam levá-lo. O galo, todavia,
não vai. (Come as rações da ventania.)
Permanece trepado no mirante.
Estica, às vezes, o pescoço de aço
para onde? Cego e preso, pelo espaço
continua trepado no mirante o que procura? Espreita a madrugada
em que lhe possam rebentar o canto
e o vôo metalúrgico das asas.







Galar
Nivea Moraes Marques




Imóvel galo
deixou-me como herança
meu bisavô português

Negro, em detalhes vermelhos
cuida que a língua só não baste
para afiar meus bigodes

A louça fria de que é feito
engole, a cada manhã,
seu canto inaugural

Meu galo não dorme...

Mesmo calado, insone,
imóvel
(as patas unidas, imperceptíveis
numa base arredondada, igualmente negra)
meu galo, quase um doce típico,
todos esses dias
amanhece galar
perpetuando em mim
a minha própria espécie.

2 comentários:

Camila disse...

nini, tá lindo o blog com as novas imagens!!!!

Nívea Moraes Marques disse...

Cacá, eu estou muito feliz porque vocês estão gostando e eu estou adorando ver tudo isso, espero que mais pessoas possam conhecer o blog.
Vocês tinham razão, é uma excelente forma de publicação.
Beijos, sua irmã, Nini.